sexta-feira, 11 de outubro de 2019

O que muda a partir de terça-feira no Código do Trabalho!

Leia aqui as alterações ao Código do Trabalho que entram em vigor na terça-feira. Em causa estão o período experimental, os contratos de muito curta duração e a duração dos contratos a termo.
▲Código do Trabalho de 2009
Antonio Cotrim/LUSA
As alterações ao Código do Trabalho, como o alargamento do período experimental para jovens à procura do primeiro emprego e desempregados de longa duração ou a redução da duração dos contratos a termo, entram em vigor na terça-feira.
O diploma, publicado em 4 de setembro, foi alvo de um pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional entregue pelo PCP, Bloco de Esquerda e PEV em 25 de setembro. Em causa, o período experimental, as alterações nos contratos de muito curta duração e a caducidade das convenções coletivas.
As alterações ao Código do Trabalho foram aprovadas no parlamento em julho, apenas com os votos favoráveis do PS e a abstenção do PSD e do CDS-PP, enquanto os restantes grupos parlamentares votaram contra as medidas.
Eis algumas perguntas e respostas sobre as principais alterações:
1.    Qual a duração máxima dos contratos a termo?
A duração máxima acumulada do contrato de trabalho a termo certo, incluindo renovações, baixa de três para dois anos e a duração máxima do contrato de trabalho a termo incerto baixa de seis para quatro anos.
Além disso, as renovações dos contratos de trabalho a termo certo passam a não poder exceder a duração do contrato inicial. Segundo um exemplo do Ministério do Trabalho, para um contrato de trabalho a termo com duração de nove meses, continuam a poder ser feitas no máximo três renovações, mas estas, no total, não podem perfazer mais do que os nove meses, isto é, a duração do contrato inicialmente celebrado.
2. O que muda nos motivos para contratar a termo?
Deixa de ser motivo admissível para a celebração de contrato a termo o facto de se tratar de trabalhador à procura do primeiro emprego ou de desempregado de longa duração.
Por outro lado, mantém-se a possibilidade de contratar a termo quando em causa está o início de funcionamento de empresa ou estabelecimento. Mas essa possibilidade fica restrita às micro, pequenas e médias empresas (PME), isto é, empresas com menos de 250 trabalhadores, contra a anterior possibilidade de empresas com menos de 750 trabalhadores.
3. Quais as principais alterações no trabalho temporário? 
É introduzido um limite máximo de seis renovações ao contrato de trabalho temporário celebrado a termo certo, o que não existia até agora. Esta regra não se aplica em casos de substituição de trabalhador ausente, sem que a sua ausência seja imputável ao empregador, como situações de doença, acidente, licenças parentais e outras equiparáveis.
Se houver irregularidades no contrato de utilização (celebrado entre a empresa de trabalho temporário e a empresa utilizadora), a empresa de trabalho temporário passa a ser obrigada a integrar o trabalhador em regime de contrato sem termo.
4. Qual a duração dos contratos de muito curta duração? 
A duração máxima do contrato de muito curta duração passa de 15 para 35 dias, mantendo-se a duração máxima acumulada de 70 dias por ano.
Além disso, é alargado este tipo de contratos a todos os setores quando, até agora, apenas podiam ser celebrados no setor agrícola e do turismo.
5. O que muda no período experimental dos contratos sem termo?
O período experimental passa de 90 para 180 dias para os contratos sem termo celebrados com trabalhador à procura do primeiro emprego ou desempregado de longa duração.
Até agora, os 180 dias eram apenas aplicáveis aos trabalhadores com cargos de complexidade técnica, elevado grau de responsabilidade ou que pressuponham uma especial qualificação.
Mantém-se o período experimental de 240 dias para os cargos de direção ou superiores.
6. Os estágios contam para o período experimental?
Sim, desde que sejam realizados para a mesma atividade e no mesmo empregador. Por exemplo, se um trabalhador à procura do primeiro emprego fizer um estágio de seis meses e a seguir for contratado pela mesma entidade empregadora, o período experimental de 180 dias já está esgotado.
7. As alterações aplicam-se aos contratos de trabalho em vigor?
Não. As alterações vigoram apenas para os contratos celebrados a partir de dia 01 de outubro de 2019, data a partir da qual entram em vigor as alterações ao Código do Trabalho.
8. Há alterações nos direitos à formação profissional?
Sim. O número de horas de formação a que cada trabalhador tem direito anualmente é aumentado de 35 para 40 horas.
9. O que acontece ao regime do banco de horas?
Este regime deixa de poder ser implementado por acordo individual entre o trabalhador e a entidade empregadora, mantendo-se a possibilidade de ser instituído por instrumento de regulamentação coletiva de trabalho e também por acordos de grupo celebrados mediante a aprovação, em referendo, pelos trabalhadores da equipa, secção ou unidade económica a abranger.
10. Como funciona o banco de horas por acordo de grupo? 
Este novo banco de horas tem por base a realização de um referendo a convocar pelo empregador, que deve informar os trabalhadores abrangidos, os seus representantes (comissão de trabalhadores, comissões intersindicais, comissões sindicais e delegados sindicais) e a Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT) sobre o mesmo.
O banco de horas é válido para todos os trabalhadores da equipa, secção ou unidade a abranger desde que aprovado por 65% dos trabalhadores.
No caso das empresas com menos de 10 trabalhadores ou quando o número de trabalhadores a abranger for inferior a 10, e caso não existam representantes dos trabalhadores, o referendo realiza-se em data indicada pela ACT, após pedido por parte do empregador.
11. Os atuais bancos de horas individuais cessam?
Os bancos de horas instituídos por acordo individual que já estejam em aplicação antes da entrada em vigor da nova legislação cessam no prazo máximo de um ano a contar da entrada em vigor das alterações ao Código do Trabalho, ou seja, até ao dia 01 de outubro de 2020.
12. Nos instrumentos de regulamentação coletiva, o que muda no princípio do tratamento mais favorável? 
O pagamento do trabalho suplementar passa a estar incluído na lista de matérias cobertas por este princípio, o que significa que os acordos coletivos, contratos coletivos e acordos de empresa só podem ser alterados se fixarem critérios mais favoráveis para o trabalhador do que aqueles que estão no Código do Trabalho.
Ou seja, só podem determinar que o trabalho suplementar é pago com um acréscimo igual ou superior a 25% pela primeira hora ou fração desta e igual ou superior a 37,5% por hora ou fração subsequente, em dia útil, e com um acréscimo igual ou superior a 50% por cada hora ou fração, em dia de descanso semanal, obrigatório ou complementar, ou em feriado.
13. A caducidade das convenções coletivas mantém-se?
Sim, as convenções coletivas continuam a poder cessar por caducidade e é introduzido um novo motivo para a caducidade, que tem gerado críticas por parte da CGTP e dos partidos à esquerda do
PS.
É que a convenção coletiva pode caducar em caso de extinção ou perda da qualidade da associação sindical ou da associação de empregadores que celebraram a convenção coletiva.
Por sua vez, em caso de caducidade da convenção coletiva, as matérias relativas à parentalidade e de segurança e saúde no trabalho passam a transitar obrigatoriamente para os contratos individuais.
14. Quais as novas regras aplicáveis à denúncia de convenções coletivas?
A denúncia de convenção coletiva passa a ter de ser fundamentada, ou seja, a parte autora da denúncia passa a ter de apresentar à outra parte uma proposta negocial global e uma fundamentação quanto a motivos de ordem económica, estrutural ou a desajustamentos do regime da convenção denunciada.
15. Quando há várias convenções numa empresa, quais as regras a aplicar? 
Quando há, numa dada empresa, uma ou mais convenções coletivas ou decisões arbitrais, o trabalhador não filiado em sindicatos pode escolher qual dos instrumentos lhe passa a ser aplicável num prazo de três meses a contar da entrada em vigor do instrumento escolhido ou do início da execução do contrato de trabalho, se este for posterior.
O instrumento de regulamentação coletiva do trabalho escolhido pelo trabalhador passa a aplicar-se por um período máximo de 15 meses, e o trabalhador passa a poder exercer o direito de escolha apenas uma vez enquanto estiver ao serviço do mesmo empregador, ou de outro a que sejam aplicáveis as mesmas convenções coletivas ou decisões arbitrais.
16. Como funciona a taxa rotatividade excessiva a aplicar às empresas? 
Com as alterações laborais, é criada uma contribuição adicional por rotatividade excessiva a cobrar aos empregadores que tenham um peso anual de contratação a termo superior ao indicador setorial anual em vigor.
A taxa é progressiva, até ao máximo de 2% e a forma de progressão será ainda definida em decreto regulamentar. A primeira notificação para pagamento será efetuada em 2021 e as empresas têm um prazo de 30 dias a contar para pagar.
17. Que trabalhadores não são considerados para efeitos de aplicação da taxa por rotatividade? 
Não são abrangidos os contratos a prazo para substituição de trabalhador em gozo de licença de parentalidade ou substituição de trabalhador com incapacidade temporária para o trabalho por motivo de doença por período igual ou superior a 30 dias.
Ficam ainda de fora os contratos de trabalho de muito curta duração e as situações em que, pelo tipo de trabalho ou pela situação do trabalhador, o contrato tenha de ser celebrado a termo.
 

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O Poder de um pedidio de desculpas!

Firmeza, rigor ou exigência são práticas de gestão compatíveis e não contraditórias com o posicionamento de um líder que sabe reconhecer e desculpar-se pelos seus erros.
Há um conjunto de palavras e expressões do nosso léxico que utilizamos com elevada frequência no nosso quotidiano, em casa, na rua ou no trabalho: “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”, “olá” ou “adeus”, “por favor” ou “obrigado” e “de nada” ou “não tem de quê” são seguramente algumas delas.
Utilizamo-las de forma generalizada e transversal na sociedade, independentemente da idade, género, religião ou raça, sem prejuízo, naturalmente, da maior ou menor propensão de cada indivíduo em usar tais palavras ou expressões, em função do respetivo perfil ou traços de natureza comunicacional – entenda-se, por outras palavras, ser mais ou menos introvertido, comunicativo ou mesmo simpático.
Também eu faço uso regular dessas palavras e expressões, seguramente com maior frequência com as pessoas com quem me cruzo ou me relaciono de forma mais próxima ou recorrente no meu dia-a-dia, em detrimento de tantas outras pessoas, tão ou mais importantes na minha vida, com quem, infelizmente, não tenho o privilégio dessa proximidade ou recorrência no contato.
Todas as palavras e expressões que dei como exemplo no início deste texto têm, em simultâneo, uma natureza marcadamente positiva, como se quem as profere queira transmitir, de uma forma simples e mais ou menos pronunciada, uma mensagem de atenção, de simpatia ou de reconhecimento dirigida ao seu respetivo destinatário.
Essas palavras e expressões não têm, todavia, e a meu ver, o poder que a palavra “desculpe” pode ter, nomeadamente quando utilizada de forma ponderada e sincera e não superficialmente ou meramente como um “chavão” como tantas vezes acontece no nosso dia a dia: “olhe, desculpe, pode ajudar-me por favor?”.
Apesar da composição da palavra “desculpe” parecer querer indicar o desfazer de uma “culpa”, daí advindo uma potencial conotação negativa, como se quem a profere queira ver-se livre da sua “culpa”, não é nessa perspetiva que a interpreto neste artigo, mas antes no alcance do próprio ato de pedir desculpa.
Um pedido de desculpa, repito, ponderado e sincero, constitui inequivocamente uma demonstração de humildade. Possivelmente, um gesto de conciliação. Provavelmente, uma manifestação voluntária de vulnerabilidade. Seguramente, um exercício de autoconsciência. Basicamente, uma mensagem que torna evidente que nos equivocamos ou erramos, mas que temos a capacidade de o reconhecer perante outrem.
Adicionalmente, um pedido de desculpa, assumido e despretensioso, não é apenas um mero ato de humildade ou de respeito pelos outros – é também uma demonstração de autoconfiança e de autoestima, contrariamente ao que se possa pensar.
Lembrei-me de escrever sobre este tópico, simples e, não me custa admitir, pouco sofisticado, dada a importância que o mesmo pode ter ao nível dos processos de liderança e de gestão que vislumbramos em muitas organizações empresariais.
Com efeito, acredito que a capacidade de um líder saber reconhecer os seus erros e desculpar-se pode constituir um importante catalisador de confiança e um pilar de uma liderança eficaz e inspiradora para a respetiva organização.
Diria mesmo mais: hierarquia, firmeza, rigor, exigência ou responsabilização (accountability), enquanto conceitos ou práticas relevantes para a competitividade e eficácia de uma organização empresarial, são inteiramente compatíveis e nada contraditórios com o posicionamento de um líder que sabe reconhecer e desculpar-se pelos seus erros.
Ao longo da minha carreira tive o grato privilégio de trabalhar – e aprender – com alguns líderes e gestores, tecnicamente sapientes nas suas áreas de atuação e firmes, rigorosos e exigentes, mas também justos e humildes nas suas atitudes. Saber reconhecer os seus erros, porque afinal todo o ser humano é imperfeito, e, mais ainda, saber pedir desculpa pelos mesmos, tem sido, seguramente, umas das fontes de inspiração na minha carreira.
Termino este singelo texto, com um sincero “obrigado” dirigido a si que leu este texto até ao fim, desejando-lhe um resto de um “bom dia”, “boa tarde” ou “boa noite”, consoante o caso, e pedindo-lhe “desculpa” (em modo “chavão”, claro!) se não deu o seu tempo por bem entregue ou se achou este texto demasiado lamechas.

quinta-feira, 12 de setembro de 2019

A origem do Padel e seus benefícios!

A origem do padel, que começou por chamar-se “ténis de alto-mar”, remonta a 1890, quando a bordo de navios ingleses os tripulantes jogavam ténis em espaços mais pequenos, durante as travessias do Atlântico. É já nos anos de 1920 que chega a terra e passa a ser jogado nos parques de Nova Iorque, embora seja no México, num hotel em Acapulco, que surge, em 1969, o primeiro campo de padel feito por Enrique Corcuera. Na Europa, a modalidade difundiu-se com a ajuda da realeza espanhola. A componente social e de convívio entre os jogadores é um dos principais atrativos desta modalidade, praticável em todas as idades.
 
15 boas razões para jogar padel
1 - Cuida do coração
Sendo um desporto de esforços intermitentes, existe um aumento da produção de oxigénio e do volume de sangue bombeado pelo coração. Os jogadores começam a cansar-se menos para fazer os mesmos esforços no seu dia a dia. Este aumento da resistência cardiovascular poderá ser um bom antídoto para problemas relacionados com o coração, como os enfartes do miocárdio.
2 - Tonifica os músculos
Os ganhos de força na prática desta modalidade também são evidentes. São vários os músculos trabalhados em simultâneo. Nas pernas, são as coxas e os glúteos os dominantes, devido à constante posição de semiagachamento. No tronco, fortalece-se, principalmente, a parede abdominal e a região lombar.
3 - Melhora a coordenação motora
O jogo requer destreza na combinação de movimentos. A movimentação dos pés, a funcionar paralelamente com a ação dos braços, solicita de forma constante um forte trabalho coordenativo do corpo. O treino de velocidade e agilidade, tão características desta modalidade, promove uma melhor coordenação motora.
4 - Solicita a sua agilidade
Os movimentos dinâmicos, curtos e multidirecionais das jogadas aumentam o desenvolvimento desta capacidade, visto que ela se caracteriza por trocas rápidas de direção, sentido e deslocamento da altura do centro de gravidade. A flexibilidade também é constantemente posta à prova em diferentes momentos do jogo.
5 - Estimula a capacidade de reação
No padel há muitos sprints curtos durante o mesmo ponto de jogo, bem como inúmeras ações explosivas e de alta intensidade. A imprevisibilidade dos ressaltos nas malhas laterais, nos vidros ou na rede é apenas mais um fator que fomenta o desenvolvimento da capacidade de reação e seus reflexos. Quanto mais rápido e mais ágil o jogador for, mais tempo tem para tomar uma decisão eficaz.
6 - Otimiza a atividade neuromuscular
Existem inúmeras tomadas de decisão em cada ponto disputado. A velocidade entre o momento de pensar a jogada e a sua execução é crucial para, atempadamente, processarmos o gesto técnico.
7 - Ajuda a perder peso
A redução de massa gorda e o aumento de massa muscular constituem também uma evidência. De acordo com alguns estudos, numa hora pode gastar-se, aproximadamente, 500 calorias, melhorando o índice de massa corporal.
8 - Atua na prevenção do envelhecimento
Com o avançar da idade e a consequente degeneração física (órgãos, tecidos) e mental, torna-se fundamental a prática de atividade física. O padel pode ser jogado a um nível de intensidade moderado, sem um grande risco para os grupos seniores.
9 - Promove o espírito competitivo e o ‘‘fair play’’
A euforia da vitória e a frustração da derrota fazem-nos sair da rotina e experimentar novas aprendizagens. O facto de dependermos também de um parceiro ensina-nos a lidar melhor com o erro e a sermos mais tolerantes. Uma das características mais positivas é que a competição muitas vezes se torna secundária, prevalecendo a diversão.
10 - Ajuda a reduzir o stresse
O exercício físico ajuda a libertar tensões acumuladas, a descarregar energias e a ganhar autocontrolo. As sensações positivas geradas são muitas e, talvez por isso, quem experimenta jogar padel nunca mais o larga.
11 - Fomenta o convívio e a socialização
O padel é uma modalidade coletiva, jogada a pares. Partir para a ação e iniciar a sua prática irá gerar novas relações sociais e até novas amizades.
12 - Praticável todo o ano
Modalidade habitualmente jogada nos courts ao ar livre, em dias de inverno pode ser praticada em campos indoor. Mais do que o calor intenso, é o vento que pode estragar uma partida. Inúmeros praticantes encontram aqui uma forma de ter atividade física fugindo à monotonia de um treino de ginásio ou de uma modalidade cíclica, como a corrida, por exemplo.
13 - Ajuda a dormir melhor
Como qualquer outra atividade física, o padel cansa. Isto leva a que o corpo tenha necessidade de recuperar devidamente, proporcionando-lhe uma noite com melhor qualidade de sono e um despertar mais relaxado.
14 - Pode prevenir lesões
É fundamental fazer um bom aquecimento prévio, com exercícios gerais e semelhantes aos que vai pôr em prática e, no final de cada jogo, alongar. Como o padel é predominantemente um desporto assimétrico – desenvolve mais um dos lados –, 
torna-se essencial reequilibrar o corpo com um trabalho de reforço dos músculos menos solicitados e com alongamentos do lado que fica mais encurtado. O ombro está sempre em rotação e, por isso, é também uma das articulações que mais lesões sofrem, a par de joelhos, tornozelos e cotovelos.
15 - É para todos
O padel é uma modalidade inclusiva, que pode ser praticada por todos. Desde os mais novos, a partir dos 5 anos, até aos mais velhos, homens e mulheres, com mais ou menos aptidões físicas e/ou desportivas. Existem projetos para orientar pessoas com incapacidades motoras e facilitar todo o processo de aprendizagem ou a prática da modalidade.
 

sábado, 20 de julho de 2019

Qual o poder de acreditar em si mesmo!

Inicio este artigo com uma pergunta de reflexão: como podemos querer acreditar em quem nos lidera senão acreditamos em primeiro lugar em nós?
Atualmente, os departamentos de RH promovem cada vez mais, nas suas políticas internas, incentivos, benefícios, programas de motivação e de maior envolvimento dos colaboradores nas empresas, contudo, parece que, quanto mais se aprofunda esse tema, mais difícil se torna, manter elevados níveis de motivação, pro-atividade, empenho e dedicação das pessoas nos seios das empresas.
Num artigo anterior, falei-vos do poder da superação a partir da transmissão da visão da empresa baseada no desafio diário dos indivíduos e das equipas. Desafiar pessoas e equipas constantemente. Este trabalho, também é uma tarefa de equipa e do próprio indivíduo. Não basta que os líderes acreditem nas suas equipas e na visão da empresa. É preciso que as pessoas acreditem em si mesmas. Para mim, esta é a génese do sucesso e de superação de qualquer indivíduo.
Creio que vivemos atualmente uma espécie de crise de ausência de “existencialidade corporativa”. Quanto mais liberdade e responsabilização é dada às pessoas, menos acreditam em si próprias? Quanto mais desafios lhes são colocados à disposição, menos se sentem motivadas e empenhadas?
Vou contar-vos numa história.
Havia um reino com muitos súbditos. Estavam descontentes.  Apesar de viverem no palácio, cercados de ouro, deliciosas comidas, festas e favores do rei, sentiam-se totalmente desmotivados e sem paixão pelo que faziam ou como viviam o seu dia-a-dia.
Um dia, o rei sabendo que estavam descontentes e desmotivados, enviou uma carta, convocando todos para uma grande reunião no salão do palácio. Na carta do rei, orientava que somente aqueles que quisessem tratar de interesses maiores do reinado deveriam comparecer. Chegou o dia de se encontrarem com o rei. Muitos dos súbditos curiosos pela chegada do rei aguardavam ansiosos.
Entrou o rei acompanhado de muitos sábios do palácio, mas percebendo que nem todos estavam ali, perguntou: “Porque não vieram todos?” Um dos sábios respondeu: “Caríssimo rei, ouvimos falar que muitos não se acharam importantes o bastante para tratar dos assuntos do reinado e preferiram continuar em seus afazeres.” Então o rei falou para todos os que estavam ali: “Meus caros súbditos. Soube que muitos de vocês estão descontentes com as tarefas e responsabilidades que executam no castelo. Após reflexão vou passar alguns de vós para cargos com maiores responsabilidades. Irei precisar de novos comandantes da guarda, governadores de algumas províncias, comandantes de pelotões do exército e até mensageiros e soldados. Vou lançar-vos alguns desafios e aqueles que passarem vão merecer as novas responsabilidades. Aguardo por vós aqui amanhã.
No outro dia entrou o rei no salão e percebendo menos homens na sala perguntou aos sábios: “Onde estão os outros?”. Os sábios responderam que muitos dos homens, sabendo que teriam desafios, acharam que seriam muito duros e difíceis e preferiram não tentar. Não se achavam preparados ainda para grandes desafios. Ao que o rei respondeu, muito descontente: “Mas eu ainda nem falei quais seriam os desafios!”.
Então o rei passou a primeira tarefa. Cada interessado pelos novos cargos deveria escrever um pequeno texto que contentasse ao rei, porque seria a pessoa indicada para a nova responsabilidade. Chamou alguns escritores do reinado e pediu para que os ensinassem sobre a arte de escrever durante todo o resto daquele dia. No outro dia, entrou o rei no salão e vendo menos homens, perguntou aos sábios:”. Onde estão os outros que estavam aqui ontem? Vejo que faltam muitos!?”. Ao que os sábios responderam: “Muitos acharam difícil a tarefa de ter que escrever um texto e que não conseguiriam fazer a tarefa. Então desistiram. O rei passou o próximo desafio e disse: “Vós tendes  que preparar um discurso para falar para um grande número de pessoas no dia que comemorarmos a festa da colheita da cevada.”
O rei em seguida trouxe os que preparavam os seus discursos e deixou-os o restante do dia a ensina-los a preparar discursos. No outro dia, o rei entrou no salão e vendo poucos súbditos, perguntou aos sábios:” O que houve com os demais que estavam ontem?”. “Caríssimo rei, muitos disseram que não eram capazes de falar para muitas pessoas e desistiram” – Respondeu um dos sábios.
O rei, ainda esperançoso, passou então mais uma tarefa: “Vós tendes que ir a algumas províncias para defender os meus interesses. Terão a minha proteção. Mas encontrarão pessoas muito difíceis de lidar!”. Depois trouxe negociadores do palácio para lhes dar instruções sobre negociação durante o restante do dia. No dia seguinte o rei voltou ao salão e apenas três estavam a aguardar.
O rei então olhou para eles e disse: “Vós tendo sido os escolhidos, ordeno aos coordenadores do castelo que vos encaminhem para os novos ofícios.” O rei percebendo que os três estavam com aparência de espanto e a olhar uns para os outros, cedeu-lhes a palavra. Eles então falaram ao rei: “Amado rei, nós não cumprimos ainda as tarefas dadas para vós. Até estamos a escrever algumas coisas, estamos a treinar falar com o povo, e a arte de negociar, mas precisamos de mais tempo para nos preparar. Nem sabemos se vamos conseguir.
O rei com um sorriso, disse: “Muitos nem tentaram, outros desistiram antes mesmo de saber quais seriam os desafios. Alguns abandonaram o que queriam no primeiro pensamento de que encontrariam dificuldades, e outros na primeira dificuldade que encontraram. Eles não acreditaram neles próprios, como eu poderia acreditar neles?
Vocês foram testados no mais profundo dos testes. Na crença em si mesmo! Para realizar algo importante é preciso acreditar primeiro em si mesmo!”
Creio nas pessoas por princípio, porque todas têm imenso potencial, humano e profissional. Acredito nelas para as ver superarem-se e desafiarem-se diariamente. “Acredito para ver” e com bem mais resultados, do que no “ver para crer”. Ajudar as pessoas a chegarem à melhor versão delas próprias, é uma jornada, que leva o seu tempo, mas altamente recompensadora.
É esta capacidade de acreditar em si próprio em primeiro lugar, que faz de si uma pessoa extraordinária, capaz de superar-se a cada dia quer como pessoa quer no seio de qualquer equipa ou organização. Assim nascem os líderes! Aos líderes atuais cabe o desafio de passar a visão com paixão, coração e dar as condições para que chegue lá!
Seja, em primeiro lugar, o rei do seu reino. Acredite em si próprio e os seus lideres estarão lá para o apoiar e criar o espaço e as condições para se superar.
Artigo retirado do Link to Leaders!

segunda-feira, 1 de julho de 2019

A tua Carreira Profissional!

Muito se fala em sucesso profissional, apostando numa carreira recheada de conquistas e metas alcançadas. É frequente surgirem artigos com os passos para o sucesso. Ora bem, os conceitos de carreira e sucesso são cada vez mais relativos, pois os profissionais tendem a valorizar dimensões completamente diferentes e cada um de nós deve decidir mediante a sua perspetiva.
Na minha opinião, não há que separar a vida profissional e pessoal, pois cada vez mais conseguimos “encaixar” o nosso trabalho no meio do nosso dia-a-dia, por exemplo, trabalhando remotamente ou fazendo horários que nos permitam acompanhar a vida dos nossos filhos. Ou seja, esta flexibilidade permite reduzir o fosso entre o nosso trabalho e a nossa vida familiar. Tal ao dia de hoje ainda não esta intrínseco nas empresas em Portugal mas é algo que devemos estar atentos e começar a pensar ainda mais pois uma pessoa feliz emocionalmente rende muito mais para a empresa, e quem gere tem de analisar todos os prós e contras. Em todo o caso para empresas que tem armazém e saidas diárias esta situação aos dias e de todo impossivél neste caso especifico.
Em relação ao nosso percurso profissional é frequente sermos influenciados ou reagirmos mediante a opinião dos outros. A tal frase cliché “não me importa o que os outros pensam” às vezes não corresponde bem à verdade. Na prática, sabemos que alguma parte de nós é influenciada pela opinião de amigos, colegas e familiares, sendo por vezes um fator determinante na tomada de decisões na nossa carreira profissional. Por vezes, há quem nos impeça de avançar, tecendo uma opinião acerca de algo que julga saber melhor que nós próprios. Pelo contrário, também existem pessoas que nos incentivam a avançar e arriscar quando tudo parece ser demasiado obscuro. Da perspetiva da carreira profissional sou apologista que a opinião de algumas pessoas pode (e deve!) servir para nos ajudar a raciocinar acerca do caminho que queremos tomar, no entanto, não há dúvida que nós próprios temos a visão mais completa daquilo que é o contexto onde nos inserimos e para onde queremos caminhar.
Devemo-nos sempre colocar em causa para poder seguir em frente, e desafiarmo-nos a nós próprios relativamente àquilo que é o nosso percurso. É importante termos consciência que o mundo não gira à nossa volta e devemos ter sempre a mesma humildade, cooperação, ajuda e constante aprendizagem. A pergunta clássica “onde é que se vê daqui a 5 anos?” deverá ser respondida a nós próprios de forma constante, para que possamos delinear o nosso percurso de aprendizagem e crescimento da melhor forma.
É de realçar que nem todos procuram a mesma escalada profissional que os leve a CEO ou a assumir uma posição de chefia, pois existem pessoas que pretendem permanecer numa área técnica o resto do seu percurso profissional, sem assumir responsabilidades maiores. E se é essa a sua visão, provavelmente perdeu-se um mau líder e ganhou-se um excelente técnico! E portanto, o sinónimo de sucesso resulta única e exclusivamente da nossa felicidade e bem-estar, sendo isso que torna o nosso trabalho gratificante. Existem diferentes vetores que devem ser tidos em consideração, designadamente: work-life balance, evolução de carreira na empresa, condições salariais e a cultura organizacional da respetiva empresa. Ainda existe uma certa mentalidade de nos incentivar a encontrar um emprego numa empresa estável, fazer carreira com benefícios e segurança, não nos passando pela cabeça mudar de trabalho num curto espaço de tempo. Atualmente, com o advento das start-ups, sendo o mercado de trabalho cada vez mais global, é frequente ver alguns profissionais saltarem de empresa em empresa, vivenciando experiências completamente diferentes e cada vez mais motivados. Na minha opinião, esses profissionais são muito mais relevantes para as empresas por onde passam, tendo a capacidade de fazer mais, melhor e diferente.
De qualquer forma, gosto de levar as coisas com leviandade, e como refere o Alain de Botton no seu livro “Alegrias e Tristezas do Trabalho”, há que saber lidar com a insignificância da maioria das nossas atividades ou tarefas no trabalho, independentemente do nosso percurso e objetivo. É só trabalho.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

O que é o Padel?

Meu novo desporto, pois a idade vai pedindo novas ambições fisicas ;)

O Padel é um desporto de raquete, jogado a pares e utilizando raquetes e bolas próprias. O campo é rectangular, totalmente fechado, tem 10 metros de largura por 20 de comprimento e uma rede no meio. Nos topos e em parte das laterais tem uma superfície em vidro ou em alvenaria. A superfície do campo pode ser em relva sintética, alcatifa ou betão poroso. As duas primeiras são as mais habituais.


Na vizinha Espanha, o grande motor de desenvolvimento da modalidade, estima-se que existam mais de 4 milhões de praticantes, não existindo, apesar da crise, sinais de abrandamento. Em Portugal, depois de um início algo discreto, o crescimento nos últimos anos tem sido significativo existindo cerca de 80.000 praticantes, 7000 jogadores e perto de 400 campos espalhados por todo o país.

Principais vantagens do Padel

É difícil encontrar um desporto de equipa que tenha tantos adeptos de ambos os sexos e com uma abrangência etária tão grande (dos 5/6 anos aos 80). Esta é uma das características mais interessantes do desporto, que muitas vezes é jogado em família. A facilidade de aprendizagem é outra das vantagens, sendo possível trocar bolas e disputar pontos desde a primeira experiência. Com o apoio de monitores especializados e jogando com alguma frequência (idealmente duas vezes por semana) pode evoluir-se bastante e num curto espaço de tempo. É um desporto divertido, com muitas trocas de bolas e, por ser jogado a pares, social.

O facto de ser fácil de aprender e poder ser jogado por mulheres e homens de todas as idades não quer dizer que o Padel seja um desporto limitado, quer em termos estratégicos, quer em termos físicos. Num nível competitivo, o Padel é tão exigente fisicamente como outros desportos de raquete e tem uma grande complexidade táctica e estratégica. Para último é importante realçar que a principal razão para o sucesso do Padel é o facto de ser altamente “viciante”. A taxa de retenção dos first timers, ou seja, a percentagem de jogadores que continua a jogar depois da primeira vez é muito alta, superando provavelmente os 80 a 90%.

O que é necessário para começar jogar?

Para começar é preciso ter raquete, bolas, equipamento normal para desporto, um parceiro e uma dupla adversária. A raquete e as bolas podem ser compradas numa loja especializada, numa grande superfície ou numa loja online. Os preços das raquetes oscilam entre os 20 e os 300 Euros. Uma lata de 3 bolas custa cerca de 4 euros e o aluguer do campo cerca de 20 Euros/hora. Depois é preciso escolher um dos campos que existam na tua zona.

De acordo com os dados da FPP existem cerca de 400 campos em Portugal. Na grande Lisboa e no grande Porto situam-se a maioria dos campos embora estejam espalhados por todo o país.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Ética e responsabilidade empresarial

Um pouco por todo o mundo está patente uma crise de confiança nas instituições. O cinismo e o desconforto com o funcionamento das instituições generalizam-se, e são alimentados por experiências continuadas de corrupção, descredibilização dos partidos políticos e outros défices de desempenho institucional.
Também em Portugal vão surgindo novas revelações, acusações e suspeitas, que enchem as primeiras páginas dos jornais.
Há pouco tempo, ouvia a antiga Procuradora-Geral da República dizer que “há uma normalização de um determinado tipo de comportamentos e práticas que vão contra a transparência e que põem em causa o funcionamento do Estado de direito.”
Nos últimos dias, espalhou-se rapidamente nas redes sociais a notícia de um estudo que, supostamente, colocaria Portugal “em quinto lugar dos países mais corruptos em todo o mundo”.
Trata-se, evidentemente, de mais um exemplo de manipulação enganosa de informação, de uma “fake new”, como agora se costuma dizer. Contudo, a velocidade a que se propagou esta mensagem por milhares de cidadãos não deixa de ser preocupante e reveladora de um ambiente de desconfiança nas instituições, que parece alastrar.
Neste ambiente, facilmente as empresas são vistas como parte do sistema, abrindo-se o caminho a uma maior projeção de alguns setores da sociedade portuguesa que persistem em difundir antagonismos e preconceitos contra os empresários.
A confiança nas instituições tem de ser restaurada, sob o risco de cairmos em situações de rutura que destruam os fundamentos dos sistemas políticos e económicos em que continuamos a acreditar e as causas que defendemos.
Por isso, é grande a responsabilidade dos empresários na restauração de um clima de confiança, não só nos mercados, mas em geral no tecido social em que vivemos.
A primeira responsabilidade do empresário é assegurar a competitividade da sua empresa, porque a liderança empresarial só será responsável se tiver como primeiro objetivo garantir, numa perspetiva de sustentabilidade, a sua perenidade e a subsistência dos seus postos de trabalho.
Só através do sucesso e dos resultados gerados as empresas poderão contribuir de forma determinante para a criação de valor e de emprego, e é esse o principal papel que lhes compete desempenhar na sociedade.
Mas a responsabilidade dos empresários não tem apenas uma faceta meramente económica. Não é só um compromisso para com a sua própria empresa e os seus trabalhadores. É, acima de tudo, um compromisso para com a sociedade em que exerce a sua atividade, que deve ser assumido e valorizado.
E a face mais visível dessa responsabilidade passa, naturalmente, por adotar práticas socialmente responsáveis, entre as quais destaco a assunção de princípios de ética empresarial, como referencial de conduta no mundo dos negócios. Ética que começa pelo respeito pela lei e pelos compromissos que estão na base de toda a relação empresarial.
Passa também por assumir uma atitude de cidadania ativa, individualmente e através de um associativismo empresarial forte e coeso.
Esta é uma responsabilidade que cabe aos empresários, reforçando a sua capacidade de intervenção na sociedade e o seu prestígio como atores do desenvolvimento económico.
 
Tem sido este o meu combate. Tem sido este o combate de muitos empresários que partilham as mesmas causas.
Acredito que é um combate em que vale a pena perseverar, contra ventos e marés.